O Sereníssimo Grão-Mestre muito bem explana, à Revista Delta, a fase Executiva da Maçonaria: “Sou também movido pela ideia de que em todo Universo, quando num sistema solar, um planeta atinge a capacidade sustentar vida orgânica, vida inteligente, em sua superfície. Então, necessariamente a atrai, para os devidos fins; isto porque, existe uma razão de ser de todas as coisas; por conseguinte, também de nossa existência, qual deve ser executada pelo Gênero Humano, Obra Suprema da Grande Obra Divina de Deus, o Grande Arquiteto do Universo. E, uma vez instalada vida inteligente sobre este planeta, na medida em que este evolui, todas as vezes que a humanidade sobre ele, o Orbe, carece, por motivos que não cabe relacionar, de uma nova liderança, de uma nova Ordem Geral. Então ela, a Maçonaria, se mostra manifesta no plano físico, para tal fim.
Como Sociedade Iniciática, ela, a Ordem Maçônica, pode e deve ser considerada como a única entidade lidimamente preparada por Deus para implantar, no seio da humanidade, as bases sólidas, para que ela não perca seu rumo, principalmente no que diz respeito à execução de um plano estratégico para realizar o protocolo divino entre Deus – o criador – e o Ser Humano – o criado. Bom dizer! Afinal, tudo tem uma razão de existir, e, por isso, justifico a ideia de que precisamos estar cada vez mais conectados com esta causa, a Causa Humana, para cada vez melhor discernirmos acerca das variáveis da equação do Plano Divino X Humanidade X Maçonaria, sob pena de nossa vanguarda ser por nós desassistida quanto a tal.
Até porque, Deus deve ter os seus desígnios; para tanto, busquei bem preparar-me como deve fazer todo Obreiro Maçom, a ponto de poder discernir, cada vez mais, acerca da citada causa, a Humana; porquanto, entendo que esta seja a Causa Maçônica – para, então, responder à altura aos desafios da nossa querida GLEB, que, principalmente por ser a Grande Loja Mãe do Brasil, a Grande Loja Primaz do Brasil, deve estar cada vez mais cônscia do quanto deve ter a exata noção de que a Maçonaria já carece do novo modus operandi, um novo modus vivendi, que responda, de forma cabal, aos ditames da virtude desta época, principalmente no que refere-se à construção da Nova Humanidade. O construtivismo que o diga; haja vista não é difícil de perceber que a humanidade mostra-se, atualmente, em caos exageradamente alarmante e que parece sem fins e sem precedentes. Bom dizer!
Ora, não é dos Seres Humanos de pouco saber e de pouca sabedoria a responsabilidade da solução dos problemas, principalmente atuais, da humanidade. Tenho dito!”

Jornal Delta: Já é conhecido que a Maçonaria já tivera suas fases como Primitiva, Operativa, Especulativa e agora o Senhor propõe a fase Executiva; pode-se explicar o contexto dessa nova fase da Ordem Maçônica no mundo?

Sereníssimo Grão-Mestre: A Maçonaria, por ser a sociedade legitimamente bem preparada pelo Grande Arquiteto do Universo, para iluminar a humanidade, no que respeita o protocolo entre o Ser Humano – o criado, e Deus – o Criador, sempre respondeu, de forma deveras evidente, aos ditames da virtude de cada época. Ela sempre deu e sempre dará à humanidade régua e compasso; ainda que certa de que o Ser Humano constrói o seu destino; pois ela, a Maçonaria, tem  pregado a exata noção de que evolui-se; mas somente quem anda reto, até corre, e não cai ou se perde.

Ora, tudo tem uma razão de ser; tudo tem uma razão de existir. E, para tanto, ela, a Maçonaria, com base em sua tradição, nobreza e doutrina, sempre laborou, em seus Templos e Núcleos de Esforço Maçônicos, os princípios básicos com os quais a humanidade, de então, deve se envolver para realizar, a contento, e a partir de seus Obreiros e suas Ações Sociais, o citado protocolo, em face das exigências da Lei de Evolução; até porque, somos progressistas; pois é provadamente verdadeira a teoria de que no Universo tudo evolui; e que absolutamente nada pode deter o poder da força da Lei de Evolução. Bom que se diga. Portanto, somos genuinamente evolucionistas. E os princípios básicos de até então, quais a Ordem Maçônica implantou no mundo para os seus desígnios, nesses últimos trezentos anos, são: fraternidade, igualdade e liberdade.

O tido contexto da implantação da Nova Fase da Maçonaria advém da nossa percepção pragmática de que o mundo, que hoje mostra-se cada vez mais caótico; parece-nos claro, ele estar em caos exageradamente alarmante e que parece sem fins e sem precedentes; demonstrando-se como que de há muito carente de novos princípios, sobre os quais possa ele, o mundo, se nortear, para realizar tal protocolo entre o Ser Humano e Deus, a partir de seus habitantes, os Seres Humanos, em sua individualidade, e o quanto possível sem pressa, sem tropeços e sem quedas, mas tão abreviada quanto possível; isto porque, somos obreiros da inteligência, a ciência de descobrir, portanto, ainda que por um de nós, mas em prol de todos nós e não só de um de nós. Até porque, absolutamente nada vive isolado no Universo.

Hoje é perceptível o fato de que a Maçonaria, em sua grande construção, no que respeita o bem-estar do Ente Humano, criou a Democracia, no século IV a.C, mostrando para ele uma nova forma de viver em sociedade; e ela, a Democracia, é caracterizada pela interdependência entre três poderes específicos de uma nação, cujo poder é emanado do povo, pelo povo e para o povo, a saber: judiciário, executivo e legislativo. O Poder Judiciário se ocupa do passado, e por isso judica; o Poder Executivo se ocupa do presente, executando seus planos e metas; e o Poder Legislativo se ocupa do futuro de uma nação. Poderes esses que vivem colaborando entre si, de forma, ainda que autônoma, mas interdependentemente, com o fim de alcançar os planos para o bem comum. Objeto do poder.

Assim, a nossa percepção é de que a sociedade pode ser cada vez melhor elaborada, através da Democracia; e o que nós percebemos é que quanto mais nos envolvermos com a construção e execução das três leis básicas do Governo Executivo da sociedade local, para o bom desempenho de suas ações, a saber: o Plano Plurianual (PPA), a Lei Orçamentária Anual (LOA) e a Lei de Diretrizes Orçamentária (LDO), muito mais e melhor laboraremos na construção de uma nova sociedade, menos desigual, menos injusta e, por conseguinte, menos desequilibrada.

Nossa percepção é de que nós, a Maçonaria, já fomos operativos e construímos templos; já fomos especulativos e construímos as ciências, já construímos o conhecimento científico; e agora precisamos urgentemente construir, de forma mais direta, a sociedade na qual nós nos inserimos. Entendemos estar capacitados e experientes o bastante para tal. Eis uma abordagem relativamente simples, afeita ao contexto da criação, implantação e manutenção da nova fase da Maçonaria mundial: a FASE EXECUTIVA;  portanto, relativa à construção, execução e avaliação monitorada, principalmente, do Plano Plurianual (PPA) do Governo Executivo de qualquer da sociedade na qual estamos inseridos.

 

JD: Defina a Maçonaria Executiva e quais as reais transformações que a Ordem evoluiu com essa proposta.

SGM: A Maçonaria Executiva é a já iniciada nova fase da nossa Sublime Ordem. Questão de Percepção! Esta que tem por fim tornar feliz a humanidade. Saiba que estamos envolvidos com diversas sociedades maçônicas, com o fim de realizar a causa humana, e todas elas são, senão dirigidas, administradas, por um Grande Secretário Geral Executivo, mostrando que intuitivamente já nos predispomos quanto à execução de um plano que possa aproximar-se, cada vez mais, do Plano Divino, em considerando a seguinte equação: Humanidade X Plano Divino = Protocolo da Razão de Nossa Existência; eis a Causa Maçônica; a Causa Humana. Bom redizer!

As transformações reais advindas desta nova fase maçônica podem ser percebidas, numa sociedade, na medida em que uma Jurisdicionada desta localidade, quanto à preparação dos seus membros, já o faz através de estudos dialéticos, de todo conhecimento das escolas maçônicas, que atualmente importem para a nossa evolução voluntaria, possa estar envolvendo-se com o Governo Executivo de sua cidade, seja de forma direta ou indireta,  para então não só conhecer, mas construir, executar, monitorar e avaliar, quantitativa e qualitativamente, a execução do PPA do Governo Executivo local, o Plano Plurianual, no que respeita a prestação de serviços, principalmente, relativos à, no mínimo, educação, saúde, infraestrutura, assistência social e segurança pública.

Claro que isso sendo feito, de forma a colaborar para que os Governos Executivos, inclusive, municipal, estadual e/ou federal, possam ter a noção exata de que tal empreendimento trata-se de um auxílio da Maçonaria, a partir da percepção de suas Oficinas acerca da realidade social local.

Nós, a Maçonaria, devemos estar demonstrando ao Governo Executivo local, a nossa percepção acerca do que seja, possa ser, ou deva ser a construção social que mais importa, segundo a riqueza material e espiritual da região, bem como sua distribuição de renda e sua justiça social. O Governo Executivo do Poder Público estabelecido deve estar ciente de que está sendo monitorado e avaliado, para os devidos fins.

 

JD: A Maçonaria Universal, como toda instituição, está passando por transformações. Faça um breve resumo da Maçonaria contemporânea e suas transformações.

SGM: A Maçonaria na contemporaneidade passa, de fato, por transformações profundas, mas não de sua Tradição, de sua Nobreza e de sua Doutrina; ainda que pareça paradoxal, elas são imutáveis.

A sua Tradição é fundamental; ela não carece de mudanças nesse sentido; isto porque, ela é evolucionista, progressista, e baseia-se no fato de que no Universo tudo é trino; o Universo é composto de três dimensões; portanto, não há corpo sem três dimensões e não há questão sem três soluções; corroborando, assim, com a ideia de que o Universo não é plano, mas sim curvo, já provado cientificamente pela matemática trigonométrica.

No que respeita a sua Nobreza, ela, a Maçonaria, tem por fim a Causa Humana; isso é nobre; e a nobreza obriga. E no que respeita a sua Doutrina, a Maçonaria prima pelo processo da racionalidade, haja vista ela própria criou o Iluminismo, o Renascentismo, a Modernidade, a Pós-modernidade etc, para os devidos fins. Ela, a Doutrina Maçônica, embasa-se na Lei; embasa-se no fato de que o Ser Humano evolui através de três métodos: o primeiro método é o referente à dor; o segundo método é o amor, a sabedoria; e o terceiro método é a razão. Sim, a razão, porquanto o Ser Humano pode abreviar sua evolução; ele não precisa seguir o ritmo lento da natureza.

 

“Para nós, os Maçons, o primeiro método de evolução, o da dor, é dispensável; mas o do amor e o da razão são indispensáveis. Embora a dor leve o Ser Humano à decepção; esta o leva à reflexão; e esta o leva a discernir acerca do verdadeiro caminho que ele deve saber, sentir e seguir.”

 

A Doutrina Maçônica está afeita àquilo que, de forma racional, fora citado pelos grandes ícones pacificadores da humanidade, tais como: Jesus, Zoroastro, Laotsé, Mahavira, Moisés, Abraão, Jacó, Krishna etc: a Lei; pois o Ser Humano está fadado à libertação, mas não há liberdade sem Lei.

O que nos parece claro é que nesta nova fase da Maçonaria, a Executiva, devemos começar a nos envolver muito mais com a dialética do que só viver da retórica; porquanto, o lema da Maçonaria é CONHECER-SE E APERFEIÇOAR-SE; por conseguinte, não se trata só de conhecimento, mas de autoconhecimento.

Até porque, o Ser Humano não vive sem o saber, não vive sem o conhecimento; todavia, o único conhecimento que ele não pode desprezar é o conhecimento de si próprio; porquanto, nenhuma verdade pode viver eternamente oculta ou sendo ocultada, principalmente a verdade acerca de nós mesmos, em nossa individualidade. Eis porque, um templo maçônico nada mais é do que um jardim onde planta-se a semente de, senão um Deus, um semideus. A Lenda de Hércules comprova esta nossa assertiva.

Assim, as principais transformações, quais a Maçonaria Executiva traz, é a construção de um novo Ser Humano; portanto, de uma nova sociedade, a partir da dialética; porquanto, na Democracia, isto é, no governo do povo, pelo povo e para o povo, o que mais importa advém de um bom diálogo, de uma boa conversa, de uma boa diplomacia; e não de unilateralidades.

Isso significa dizer que entramos na era da construção do novo conhecimento; porquanto somos cientistas de interioridade e não cientista de exterioridades.

Os cientistas de exterioridade, estes trabalham com cultura material: física, química, matemática, português, geografia, história etc. Nós, os cientistas de interioridade, laboramos com cultura espiritual; até porque, nem só de pão material vive o Gênero Humano… Assim, laboramos com alquimia, verdade, amor, justiça, transcendentalidade, solidariedade etc; por conseguinte, coisas essenciais. Eis porque precisamos aprender a pensar sem o pensamento. Ou melhor, usar a inteligência sem a participação do pensamento. Até porque, Deus nos fez a sua imagem e semelhança, mas não na aparência e sim na essência; e o que buscamos é essencialidade; mais especificamente a nossa essência, o Deus que nos é interior, como dito pelo nosso irmão maior, Jesus Cristo.

Pois bem, assim, uma das grandes transformações que a Maçonaria atualmente perpassa deve estar afeita ao fato da forma de instruir seus obreiros quanto ao autoconhecimento, e não só ao conhecimento. Sem um novo Ser Humano, não pode haver nova sociedade. Sem uma nova sociedade não se constrói um novo mundo. De fato, o Ser Humano é tanto produto quanto produtor do meio no qual se insere.

 

JD: A Maçonaria é uma associação de homens livres e aceitos, sendo que o seu princípio é denominado de Maçonaria Operativa; em seguida Especulativa; e agora Executiva. Existem pontos que se colimam ou se divergem nestas três fases? Fale um pouco sobre esse assunto.

SGM: A Maçonaria é a saciedade mais bem preparada por Deus para realizar a tarefa de iluminar a humanidade. Bom redizer! Vem desde os primórdios laborando em sua autoconstrução, a partir das guildas; depois tornou-se operativa, sistematizando o conhecimento da construção de templos para que pudesse ser passado para as gerações vindouras. Posteriormente, tornou-se especulativa e, por causa das circunstâncias da época, aceitou os profissionais liberais, pouco a pouco, e por conseguinte, o conhecimento, inclusive científico, a ponto de sistematiza-lo, tão evidentemente, que poderia ser não só executado, mas também melhorado, na medida em que era utilizado e avaliado.

E agora como executivos, desejamos ardentemente construir a sociedade na qual nós nos inserimos; porquanto, é perceptível o fato do caos social, e nós, os Maçons, sabemos muito claramente que o caos social nada mais é, senão o resultado do nosso caos individual.

Melhoremos o Ser Humano e melhoraremos a sociedade, bem como o próprio mundo. Até porque, nós, o mundo, a humanidade e o Universo somos um e o mesmo; e nós os fazemos como atualmente são e estão.

Cada uma dessas fases da Maçonaria foi evidentemente observada a sua origem; a sua proposta; bem como o que ela conseguira consumar com as mudanças de suas fases e de suas propostas, quais estão descritas no quadro a seguir.

 

JD: Para se chegar a estruturação e definição de Maçonaria Executiva, quais os pontos do passado que mais lhe chamaram a atenção que deveriam ser melhorados?

SGM: Os pontos a serem melhor observados, desde o passado, estão feitos à nova forma de como construir nossos obreiros e a nova forma de nós nos inserimos no contexto social. Já aprendemos com a ciência que o meio determina o fim; por conseguinte, meios corretos levam a fins corretos, e meios incorretos levam a fins incorretos. Se desejamos, de fato, melhorar sociedade, precisamos laborar de forma qual, a construção de nossos obreiros, dentro de nossos templos, devesse ser mais especificada; eis porque, precisamos partir da retórica para a dialética.

 

“Como eu disse, o diálogo propõe o que é mais profundo, o que é essencial, o que é mais íntimo de nós mesmos; por conseguinte, o mais próximo do que em essência somos, do que em verdade somos, do que em espírito somos… Somos Deus se conhecendo”.

 

JD: Como é feita a integração da abordagem técnica, científica e metodológica da Maçonaria Executiva? Quais os resultados esperados? Já existe algo de concreto realizado?

SGM: No que respeita a integração da abordagem técnica, científica e metodológica da Maçonaria Executiva, podemos evidenciar que ela, como já dito antes, está afeita ao que tange a construção do eterno e sempre novo obreiro. Precisamos ser muito mais dialéticos do que retóricos, acerca de como estão sendo atualmente ministradas as nossas instruções. E no que se refere a abordagem social, o fazemos segundo o método científico, descrito pelo processo da sociologia; porquanto, já evidenciamos que uma sociedade se forma e se mantém, em seu desenvolvimento, na medida em que a mesma prima pela produção de riqueza e distribuição de renda, de forma cada vez mais equitativa; e com justiça social.

 

JD: A Maçonaria é uma proposta de crescimento espiritual para o Ser Humano. Onde a Maçonaria Executiva se enquadra neste contexto?

SGM: A Maçonaria é uma sociedade eminentemente espiritualista; ela embasa-se na ideia de que somos Seres Espirituais vivendo a experiência humana; e não Seres Humanos vivendo a experiência espiritual; em sua fase executiva, ela não tem dificuldade alguma de realizar o crescimento espiritual do Gênero Humano. Muito pelo contrário. Ela entende e professa que o Ser Humano é um ser trino indivisível, composto de espírito, alma e corpo físico; de id, ego e superego; de consciente, inconsciente e supraconsciente. Ela entende que para o Ser Humano realizar o protocolo entre ele e Deus, precisa levar em conta que deve projetar sua vida segundo os níveis pessoal, profissional e espiritual; e que não é possível melhorar a sociedade sem melhorar o Ser Humano; e não é possível melhorar o Ser Humano sem espiritualizá-lo.

Eis porque, em nossos estudos dialéticos dentro do templo, porquanto estes foram construídos especificamente para tal, devemos estar dialogando acerca dos conhecimentos das grandes escolas iniciáticas, senão vejamos: a escola espiritualista, a mítica, a mística, a esotérica, a ocultista, a cosmológica, a antropológica etc; ano após ano, e assim sucessivamente. São muitas as escolas maçônicas cujo fim não é outro, senão auxiliar o Ser Humano quanto ao expediente que o ajuda a realizar o protocolo entre ele e Deus. Bom redizer!

 

JD: Existe um consenso entre as Potências Maçônicas da implantação da Maçonaria Executiva? Qual a visão de cada uma delas?

SGM: Não é preciso muito para se concluir que no princípio tudo é tosco, primitivo e imperfeito. No que se refere ao consenso entre as Potências Maçônicas acerca da percepção da nova fase já iniciada, a fase executiva da Maçonaria, aqui na Bahia, não é possível se dizer que as Potências que compartilham território já estejam comungando intensamente desse processo; todavia, falando da parte da nossa querida GLEB, vivemos em consenso com as outras duas Potências, a COMAB e o Grande Oriente Estadual. Todos nós buscamos corroborar uns com os outros, no que se refere à Maçonaria como um todo. Por conseguinte, não tenho dificuldade em colaboração mútua quanto a isso. E tão logo será percebida a nossa ação de unidade, quanto a tal.

 

JD: Como tem sido a atuação do Grão Mestrado da GLEB junto às administrações públicas federal, estadual e municipal?

SGM: No que se refere à atuação do Grão Mestrado de nossa querida GLEB com as ações públicas federais, estaduais e municipais, o que podemos dizer é que temos buscado ter uma agenda de cada vez maior proximidade com as mesmas, a ponto de, por exemplo, no que respeita a nossa monitoração e avaliação da execução do PPA do Governo Municipal, a nossa Grande Secretaria de Desenvolvimento Social,  juntamente com a percepção de nossas Oficinas já dedicadas, quanto à sociedade local, é feito o RELATÓRIO ANUAL CIRCUNSTANCIADO DAS ATIVIDADES DO SISTEMA DE EDUCAÇÃO, SAÚDE, INFRAESTRUTURA, SEGURANÇA PÚBLICA E ASSISTÊNCIA SOCIAL, e protocolado esta nossa percepção em tal governo; propondo ao mesmo uma outra forma de auto-avaliação, para que o mesmo, seja ele municipal, estadual ou federal, possa ter a noção da percepção maçônica acerca do exercício de tal poder, quanto à relação: prestação de serviço X justiça social.

 JD: Qual a visão dos gestores públicos neste auxílio que a Maçonaria quer dar à gestão pública?

SGM: A visão dos gestores públicos no que respeita a esse ímpeto da Maçonaria Executiva de auxiliar, dando a eles a sua percepção quanto a prestação dos serviços públicos, estes gestores têm visto isso – pelo menos é a nossa primeira impressão – como algo inusitado; algo de grande valia já há muito esperado. Porquanto, demonstram ter a noção, senão exata, em grau relevante, da sabedoria, força e beleza de nossa Sublime Instituição para com as questões humanas, tempo em que se mostram discretos em citar o quanto lhes parece estar a Maçonaria, senão arrefecida, reflexiva, atualmente.

 

JD: A sua figura perante a Grande Loja Maçônica do Estado da Bahia é bastante emblemática. Conte-nos um pouco da sua história, da iniciação ao Grão Mestrado.

SGM: Permita-me dizer-lhe que…

Conta a história que a humanidade, em seu processo evolutivo, desta feita, aprendia com o Iluminado, sobre as Ciências de Interioridade. Eis que, quando pode, ela disse-lhe:

– É impressionante como você demonstra Deus, a partir de si mesmo. Tudo que sai de você é harmonia, amor, verdade e justiça; é graça, grandeza e gratidão; tudo é puro recebimento; tudo é plenitude; tudo é exato merecimento.

E ouviu dele:

– Fui longe demais para fingir ser o que Sou. Eu percebi que Sou, muito antes, mais do que me vi sendo; e Ele sempre foi o que eu nunca soube que eu sempre quis ser…

Ela o ouvia, e regozijada, esperou ele consumar:

– …o que Sou.

Os Seres Humanos pouco inteligentes, que observavam ela, humanidade, aprender com o Iluminado sobre o conhecimento do que seja, possa ser ou deva ser o Ser Humano e o seu propósito na Terra, quando puderam, se aproximaram dela e disseram-lhe, referindo-se ao Iluminado:

– Saiba que ele é um dissidente de Nossa Ordem Secreta de Estudos Espirituais; ele nos deixou para fazer carreira solo, e hoje vive a mostrar a sua vaidade por aí.

Daí a humanidade procurou o Iluminado, comentou o assunto com ele, e ouviu do mesmo, questionando-a, como que despreocupado com o que ela comentara:

– Você já sabe quem ou o que é você?

Ela respondeu:

– Estou descobrindo. Não é assim com todo mundo? E continuou. Por gentileza, comente algo sobre o que eu lhe falei.

Daí o Iluminado disse:

– Minha cara, os pássaros só constroem seus ninhos para dar à luz aos seus filhos, alimentá-los, tempo em que lhes dá exemplo de responsabilidade, compromisso e determinação, mas somente, enquanto estes ainda estão em crescimento até tornarem-se prontos para voar. Todavia, para um filhote de pássaro que ainda não está certo de que sabe voar, sair do ninho onde vive não é uma tarefa fácil, pois, caso ele não saiba voar, ao tentar, cairá de tal ninho e se tornará, não raro, presa fácil para os predadores que, certamente o espreitam. Isso porque, mesmo os pássaros que voam, principalmente se iniciantes, também podem cair; e toda queda pode ser fatal. Assim, tão importante quanto saber voar é saber aterrissar. Portanto, um pássaro só deve sair de seu ninho, sabendo voar bem e sozinho. Um ninho só serve para filhotes de pássaro que ainda não sabem voar. É verdade também que, geralmente, os filhotes de pássaro que ainda não sabem voar, consideram os que já sabem fazê-lo, como incautos, vaidosos e/ou precipitados. Contudo, eles não sabem que um ninho é demasiado pequeno, quando já se é grande, se tem um grande sonho e uma grande determinação.

A humanidade ouvia e toda graça, intercedeu:

– Você é real?

– Mais do que real – respondeu ele e continuou – eu e a Realidade Absoluta somos uma e a mesma coisa. Eu Sou tudo que é; e tudo que é está em Mim, embaixo, no meio, nos lados, dentro, fora e acima de tudo. Eu Sou o Universo e o Universo Sou Eu. Ele não só vem a Mim, mas também sai de Mim e a Mim torna, como tal. O Todo sai de Mim e o Todo vem a Mim. Eu Sou o Infundado e o Infundado Sou Eu; Eu Sou o infundado e de tudo fundador e fundamento, pois, quando me sensibilizei e despertei, para renascer, primei por viver, de forma voluntária, consciente e ciente, voltando ao Infundado que nunca deixei de Ser.

Mais do que alegre, a humanidade comentou:

– Você é você?

Ele, então, consumou:

– Sou Tudo, qual você, também, sempre foi, é e sempre será; sem chance alguma de ser outra coisa, senão Isto, pois em ciência vos digo que, Eu Sou o que Sou, e o que Sou sou Eu. E por isso me tornei um enigma para a minha irmandade, enfim, para a minha família, isto é, para o ninho no qual eu renasci.

 

JD: Para encerrar, qual a sua mensagem para os Maçons da Bahia e do mundo?

SGM: Já aprendemos que nós, os Seres Humanos, não vivemos sem o saber. Já aprendemos também que os fins justificam os meios. No entanto, já percebemos que são os meios que determinam os fins. Enfim, são os meios que moldam os fins. Ora, meios ilícitos não produzem fins lícitos. Se desequilibrarmos o meio ambiente, também o fazemos a nós, ou melhor, já o fizemos anteriormente a nós, em nossa individualidade. Embora não o percebamos. Eis a importância do autoconhecimento. Afinal, a crise social nada mais é do que o produto de nossa crise individual. Ela é a demonstração factual do resultado coletivo de nossas ações individuais, porquanto ao agirmos a projetamos no coletivo. O caos social nada mais é do que o produto do nosso caos individual. Ele é a demonstração factual do resultado coletivo do nosso caos interior, porquanto, ao agirmos, o projetamos em nosso exterior. Eis que, todas as crises da humanidade se radicam numa única crise: a crise do Ser Humano, em sua individualidade. Cada um de nós deve fazer não só o que pode, mas tudo que deve para que tudo viva em harmonia.